A lista do mercado

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* Por Zico Farina, professor da Escola de Criação

É a primeira crônica do ano. E ela tem a ver com um período de mudanças na minha vida. Depois de quatro anos na Africa, começo hoje na DM9.

Mas o que eu quero falar é sobre esse pequeno intervalo de semanas que separam o começo da frase anterior do seu final.

Ter todo o tempo do mundo não significa ter liberdade. Ter todo o tempo do mundo apenas significa que você tem todo o tempo. E ponto. Ser livre é outra coisa. E essa coisa tem a ver com as escolhas que fazemos, com as decisões que tomamos e com os riscos que implicam todos os sims e os nãos que você decidir.
Liberdade não tem a ver com certo e errado, com ganhar e perder, liberdade tem a ver com você decidir. O resto é tempo que passa. Tempo perdido.

Bem, nesses dias sabáticos que dividi com a Themis e o João, eu criei uma rotina. Rotinas são o centro da sanidade, mesmo para quem decidiu que não quer ter rotina.

Um belo dia, fui incumbido de ir ao supermercado. Legal. Toda ida ao supermercado tem – ou deveria ter – uma lista. A minha lista hipotética começa assim.

Frios.
Leite.
Café.
Manteiga.
Bolachas, doce e salgada.
Suco Zico.
Suco Themis.
Suco João.
Melão.
Mamão.
Queijo branco.
Alface.
Tomate.
Abobrinha.
Batatas.

Bem, ai começa o pesadelo. Parte 1 do Pesadelo. Conhecer o supermercado e saber onde ficam as prateleiras. Superada a Parte 1, vem a Parte Infinita. Desculpe, não há Parte 2. Qual a marca? Você já deve ter parado na frente de uma gôndola de bolachas. Você já viu a quantidade e a variedade? Frios. Presunto magro, gordo, extra-magro-de-porcos-róseos-do-Leste-do-Tibete? O suco do João é grande, pequeno ou azul marinho? O queijo branco é branco-branco, branco-branco-azul, branco-branco-laranja, ou tô bege? As verduras são naturais, empacotadas à vácuo ou arrancadas da terra?

E depois de superar tudo isso você não pode se esquecer de uma coisa básica: carimbar o ticket do estacionamento. De preferência antes de sair do supermercado e não na hora de você tentar passar o papelzinho na máquina, que diz, com voz de máquina: validar o cartão.

Bom, nessas horas, a gente vê a importância de construir marcas. De trabalhar para criar a diferença ou a relevância. Não é mole você fazer uma marca saltar diante dos olhos cansados do mesmo. É uma arte. Mas é a arte da persistência e da objetividade.

Acho que teremos muito trabalho pela frente. Melhor assim. Na próxima semana será a Themis que vai ao supermercado. Boa sorte, meu amor.

Dica da semana: exposição do Giacometti e da Lygia Pape, na Pinacoteca. Traga as almofadas para andar de joelhos.

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