A praga de dança de 1518, por Niege Borges

Em julho de 1518, Estrarburgo viveu uma experiência sinistra e um tanto poética que até poderia ser definida como tragicômica, não fosse mais trágica do que cômica. Uma mulher chamada Frau Troffea começou a dançar pelas ruas da cidade e só parou cerca de seis dias depois, quando 30 outras pessoas já faziam o mesmo. No dia em que a febre completou um mês, o número de cidadãos em estado de transe já chegava a 400, rodopiando e pulando sob o sol de verão. Boa parte deles morreu durante o frenesi, seja pelo calor, derrame cerebral, ataque cardíaco ou exaustão.

Parece lenda, mas aconteceu de verdade. Os sobreviventes, enlutados, ficaram perplexos pelo resto da vida, com a certeza de que nenhuma das vítimas queria dançar, mas simplesmente não conseguia parar. Para provar que a história é verdadeira o escritor John Waller lançou, 490 anos depois, um livro sobre o episódio: A Time to Dance, A Time to Die: The Extraordinary Story of the Dancing Plague of 1518 (2011).

Mas a praga não é o assunto deste post, e sim um de seus tardios desdobramentos. Em homenagem a Frau Troffea, a designer Niege Borges criou o projeto Dancing Plague of 1518, uma coleção de ilustrações de coreografias do cinema feitas por ela. Como a própria define, tivemos muita dança nas últimas décadas — felizmente, não o suficiente para matar alguém, ela espera (nós também).

Recém formada em Design Gráfico, mas designer há muito tempo, Niege trabalha na Box1824. Recentemente, ela foi notícia em blogs e sites nacionais e gringos por seu trabalho de conclusão, Quatro Pessoas, Uma Semana. Para fazê-lo, ela acompanhou a rotina de quatro jovens de diferentes lugares do mundo por uma semana, registrou todas as suas semelhanças e diferenças e transformou tudo em um infográfico lindão.

Quem curtiu o projeto que ilustra esse post pode conferir todas imagens aqui e comprá-las aqui.
Já para quem se encantou com o estilo da Niege, aconselhamos uma visita ao seu Flickr. Vale o clique.

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