O preço da felicidade

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* Por Zico Farina, redator da DM9 e professor da Escola de Criação

Quanto custa ser feliz? Felicidade custa caro? Pergunta difícil de responder.
O certo mesmo seria se perguntar: o que é felicidade para você? E isso não tem nada a ver com preço. Óbvio, tem a ver com dinheiro. Mas não com preço.

Vamos lá. Como li outro dia: você prefere gastar 1.800 dólares por um vestido da Prada ou em um fim-de-semana na Itália?

Segundo a pesquisa da Universidade de San Francisco, se você respondeu a primeira, você seria menos feliz que a pessoa que escolheu a segunda experiência.

Basicamente, eles querem dizer que a experiência de viajar é mais satisfatória do que comprar algum bagulho para você. A felicidade está na experiência e não na posse.

A Lucy Kellaway fala no título da sua coluna traduzida no Valor, nessa segunda, que você não pode ter tudo que quer a qualquer preço. Aí ela conta como foi o prazer de comprar uma bolsa Gucci de 1.380 libras por 550 libras numa liquidação e se sentir a pessoa mais feliz do mundo até passar algumas semanas de uso da tal bolsa e ela começar a se desfazer.

Quantas coisas que custam algum dinheiro e que você sempre quis ter são tão inversamente proporcionais ao prazer que você sentiu?

Existe uma relação direta entre preço e qualidade. Mas também existe um relação ainda mais direta entre o que o departamento de marketing de uma marca decidiu para ela. Há pouco tempo atrás, a Stella Artois se orgulhava de ser uma marca cara. O fato que se posicionar entre uma marca cara significa que ela assume ter um valor. Isso por incrível que pareça não afasta as pessoas. Isso as aproxima.

Nos orgulhamos da nossa fatura do cartão de crédito no final do mês mesmo que isso signifique você querer se odiar até o próximo mês de vacas e compras magras.

Acho que tudo isso serve para lembrar que a gente decidiu associar a felicidade com a compra e com possuir. Talvez o maior equívoco da humanidade e a maior ainda alegria de terapeutas, indústria farmacêutica de antidepressivos e a publicidade.

Felicidade não se compra. Você até pode pagar por ela. Mas no fundo, bem no fundo, felicidade, se sente. E isso pode custar muito. Ou nada.

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