Só é feliz quem faz o que não gosta

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* Por Zico Farina, redator da DM9 e professor da Escola de Criação

No filme Aqui É Meu Lugar, Sean Penn, numa mistura de Robert Smith com Ozzy Osbourne, diz em determinado ponto: “Hoje em dia as pessoas não trabalham, elas só querem fazer algo artístico.”. A frase ecoou lá dentro, de forma que a dicotomia, pudesse refletir de forma simples: sim, parece que a gente só quer fazer aquilo que gosta.

A gente vive num mundo que ouvimos de todos os lados, fórmulas fáceis para buscar a felicidade. Existe uma indústria e uma teoria de que fazer aquilo que se gosta é primordial, é a base da alegria, do sucesso, de como a vida deve ser encarada. Faça aquilo que você gosta e será feliz.

Não é bem assim. Balela.

Fazer o que se gosta é no mínimo uma saída fácil para não crescer. Para não pensar. Para não criar conflitos. Para não mudar. É até bonito e romântico fazer da vida aquilo que a gente pensa que é isso que nos faz feliz. Mas desculpa, isso não é verdade.

Acredito mais numa pessoa que foi obrigado a virar médico porque o pai mandou, a se tornar um advogado que alguém obrigou, a se formar numa faculdade de matemática porque era a única coisa que sobrou. Pessoas assim viverão com algo a mais que todos os outros: a dúvida. E dúvida – essa abenção – é o combustível da mudança.

Se no mundo só houvessem homens e não tivéssemos mulheres, provavelmente estaríamos ainda nas cavernas. Nas trevas. Num lugar sem luz elétrica, ar condicionado, tv a cabo e internet. A gente ficaria naquela zona de conforto que não consome a nossa energia de ir adiante. De fazer algo novo, porque o novo, só interessa a quem faz aquilo que não gosta.

E toda vez que a gente faz algo que não gosta pela segunda, terceira, mil vezes, acaba aprendendo algo diferente, algo que a gente não dava bola, não se interesseva, não queria saber. E tudo isso, faz a gente perder o medo, de pensar em algo diferente, de arriscar, de sair do sofá e pensar numa outra vida.

Fazer aquilo que se gosta é bem diferente de fazer aquilo que se acredita.

Normalmente compramos as ideias dos outros. Normalmente achamos que isso está certo. Normalmente fazemos isso sem pensar. Normalmente acabamos, mais cedo ou mais tarde, descobrindo que isso não era nosso. E normalmente, nos odiamos e nos culpamos pelas escolhas que fizemos. Então, façamos o seguinte: que tal fazer as coisas que não gostamos? Que tal fazermos as coisas que acreditamos?

Sei lá, parece um bom jeito de ser feliz. De verdade.

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