Surrealismo suíço

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*Por Sheron Neves, colunista da Escola de Criação e professora do Storytelling e Transmídia para Marcas

Berço do movimento dadaísta, o que acaba chamando mesmo a atenção aqui na Suíça é o surrealismo. Não me refiro à escola de arte de Dali e Klee, mas sim àquela estranheza provocada por algo que descrevemos como “surreal”.

Observando a publicidade local, me deparei com dois exemplos que me fizeram repensar o conceito de “primeiro mundo”. Primeiro, a propaganda de cigarros, coisa que já não vemos no Brasil há mais de uma década (a lei que proíbe a propaganda de cigarros no país foi aprovada em 2000). Na Europa, o primeiro país a impor o veto foi a Noruega, em 1975, seguida pela Finlândia, Itália e França. Mas países como Alemanha e Suíça seguem sem restrições. Para quem não está mais acostumado, dobrar uma esquina e deparar-se com a frase “Don’t be a maybe. Be Marlboro.” pode ser um tanto chocante.


“Criando segurança”

O segundo exemplo bizarro está na já famosa campanha do SVP, o partido político ultra-nacionalista, que defende que os imigrantes (especialmente muçulmanos, como fica claro nos anúncios) são uma ameaça que precisa ser abolida do país. Para promover sua plataforma, o partido parece não ter nenhum problema em cruzar a fronteira entre o politicamente correto e o escancaradamente hostil. A famosa neutralidade suíça parece ter ficado no passado. Fico imaginando o briefing do cliente, o brainstorming da criação, as ideias que foram desconsideradas por serem “muito diretas” (!?), e a reunião de pitching da campanha – quando funcionários da agência sem descendência ariana provavelmente foram enviados para “resolver um problema urgente na gráfica”, ou no mínimo precisaram “sair para comprar cigarros”. De preferência da marca Marlboro.


“Diga não à construção de torres de mesquitas” e “Passe livre para todos? Não!”

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