Uma imagem vale por 1 bilhão de palavras

zico

Antes do Instagram ser vendido, uma imagem valia por mil palavras. Se a gente lembrar do Millôr, que acabou de nos abandonar, diria ele “mas tente explicar sem palavras”. A verdade é que, nem acabamos a semana e a notícia é essa: Instagram vendido por 1 bilhão de dólares.

Ano passado eu escrevi sobre o Instagram e pelo meu vício imediato com o app mais bacana do iPhone, que hoje também, não é mais exclusividade.

A minha paixão pelo Instagram sempre foi a mesma: não se trata de fotos, se trata de crônicas. Crônicas na sua síntese. Uma foto e – quando muito – uma legenda, algumas palavrinhas agrupadas e o significado que era um passa a ser outro. A beleza tá nisso, e não nos lindos filtros e mais filtros.

Então o Facebook comprou o Instagram por 1 bilhão de dólares, o que fez um dos seus criadores, o brasileiro Mike Krieger, embolsar uns 100 milhões de dólares e partir para a sua aposentadoria com uns 20 e poucos anos. Duvido. Mas seria algo tipo isso. Ter 20 e poucos anos e saber que você ganhou, com algo que você criou, uma fortuna que garantiria, mesmo tendo a mão mais aberta que fechada, um futuro digno, bacana, repleto de luxos básicos e outros nem tanto. Duvido que alguém como Krieger pare hoje. Provavelmente ele já deve estar pensando no seu segundo, terceiro ou décimo bilhão de dólares.

O que eu não consigo parar de pensar é o seguinte. Na material do Jornal das Dez de ontem, um negócio me chamou atenção. O Instagram tem pouco mais de um ano e meio de vida e foi vendido por 1 bilhão de dólares. O New York Times, o jornal mais importante do mundo, tem mais de 100 anos e está avaliado em 950 milhões de dólares. Cinquenta contos a menos que o app de fotos.

Pelo New York Times passaram pessoas e jornalistas que contaram a história do séculos 19 e 20. São a fonte de consulta de um período onde uma imagem valia menos que mil palavras. Aliás, mil palavras valiam muito.

Hoje não. E não deixa de ser emblemático que o século 21 comece assim: com gênios da tecnologia nos deixando felizes e ocupados com nossas pequenas crônicas diárias instagramadas em fotos bacanas, enquanto a imprensa que aprofunda as questões do mundo de hoje e traz o debate para amanhã comece a desaparecer como uma foto antiga.

Quem esta certo ou errado? Não sei. Eu vou ler o NYT e postar uma foto no Instagram enquanto penso no assunto. Sugiro você fazer o mesmo.

Dica: dá para seguir o NYT de graça no Twitter. Mas não tem a revista de domingo que vale cada palavra e foto impressa.

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