Frenologia, a ciência que lia cabeças

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Dizem que não se deve julgar um livro pela capa, mas nunca disseram nada sobre julgar um homem a respeito da forma de seu crânio. Então, os frenologistas chegaram e fizeram exatamente isso no século XIX.

Por volta do ano de 1800, o médico alemão Franz Josef Gall (fundador da frenologia) argumentou que a personalidade de uma pessoa e caráter poderiam ser descobertas através da forma de seu crânio e suas protuberâncias. Inclusive, a região do cérebro responsável pelas capacidades seria o osso sobrejacente do crânio e ele refletiria estas diferenças. Franz Gall acreditava que o cérebro era o órgão da mente e as áreas dele possuem funções determinadas, as quais ele chamou de faculdades (pensamento que veio a se confirmar mais tarde).

A ideia dos frenologistas é que eles podiam sentir pela cabeça do sujeito se ele estava propenso a anomalias, desvio de comportamento, inteligência ou a falta dela. Era como ler uma bola de cristal, no mesmo nível de absurdo, considerando que ambas as práticas não possuem compromisso com a verdade.

O problema todo é que esse estudo estapafúrdio desencadeou consequências sociais. A teoria foi se popularizar no período do colonialismo e servia para julgar pessoas visando a eugenia; uma seleção dos “melhores” seres da raça humana. Logo, esse argumento serviu de subsidio para os europeus acreditarem que possuíam maior inteligencia do que os africanos, por exemplo.

Mas a teoria de Franz Josef Gall de que os comportamentos e processos de pensamento estão contidos em certas partes do cérebro, acabou por ter um grão de verdade. Décadas mais tarde, exames cerebrais mostraram que muitas partes do cérebro são, de fato, mais ativas durante atividades específicas. Porém, o resto do estudo é considerado um sofisma pelos críticos da frenologia: um raciocínio gerado sobre premissas falsas. E esse raciocínio só é utilizado hoje para argumentar comportamentos racistas.

Ainda assim, o cérebro – órgão mais complexo do ser humano – é algo que vai deixar os cientistas coçando suas cabeças durante muito tempo ainda.

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