Jay-Z e Marina Abramovic reacendem a relação entre a arte e a cultura pop

Estariam os ícones do passado fincando suas raízes no mainstream ao colaborar em trabalhos de artistas mais modernos? A parceria entre Jay-Z e Marina Abramovic reabre a discussão foto: reprodução

O maior nome do rap gravando um videoclipe por mais de seis horas dentro de uma galeria de arte. Estranho? Mais ainda quando sabemos que o maior nome da arte performática também fez parte do “evento”. Sim, estamos falando de Jay-Z e Marina Abramovic, responsáveis por um dos mais recentes cruzamentos entre arte e música pop, que à primeira vista parece improvável.

Um mix interessante: a arte contemporânea, que parece “torcer o nariz” para essas referências mais populares, começa lentamente a incorporar elementos da indústria cultural de massa. E sendo logo com o rap (estilo musical que trata basicamente de três pilares: rixas que acontecem no gueto, tráfico de drogas e preconceito racial), temos um avanço significativo.

Como se Ai Weiwei e Anish Kapoor, dois nomes de peso das artes plásticas e da arquitetura dançando “Gangnam Style” não bastassem…

… agora Abramovic, uma lenda da arte contemporânea baila “Picasso Baby” colada em Jay-Z. Marina, por sinal, é chamada de “avó da arte performatica”, autora de uma experiência semelhante no MoMa na Primavera de 2010, com a imersiva instalação The Artist is Present, onde passou sete horas por dia durante dois meses, totalmente imóvel e olhando fixamente cada visitante que se sentava à sua frente.

A artista nasceu no final dos anos 60, Ai Weiwei tem lá seus 50 e tantos anos. O que está acontecendo? Estariam os ícones de um passado não tão distante abraçando de forma voraz o mainstream? Como não pensar no ovacionado show dos Rolling Stones no último Glastonbury? Evento conhecido por mostrar ao mundo novas bandas e músicos (muitos deles recém saídos da adolescência), veja só.

Certamente, esse é um momento definitivo na história da cultura moderna.
Até bem pouco tempo atrás, ainda existia uma espécie de barreira: a juventude, a idade. Barreira essa criada pela própria ascensão do pop depois da Segunda Guerra Mundial. Pop era, até então, “coisa de jovem”.

Mas pelo que podemos ver dessas “misturas inusitadas” entre o que é dito novo e velho, é que pela primeira vez a década a que se pertence não importa. Hoje, artistas do calibre de Marina, Jaegger e tantos outros nos mostram que a cultura pop pertence a todos e une o mundo, acima de qualquer categoria – incluindo a idade.

Mas do episódio recente entre Jay e Marina, podemos afirmar: a arte performática não morreu, apenas se mudou para o Brooklyn.

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