As curiosidades de Por Fora da Copa, de Eduardo Menezes

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Na Copa da África do Sul, em 2010, o publicitário Eduardo Menezes lançou o guia A Copa Que Interessa. Nele, colocou suas ideias em torno das seleções que disputaram a competição. Este ano, com a Copa acontecendo dentro de casa ele lança o oportuno livro Por Fora da Copa, pela editora Dublinense.

Formatada como nos moldes dos grupos da Copa, a obra é dividida em oito partes. Cada uma das nações participantes é tema de um ensaio com histórias interessantes e bem-humoradas, tratando de fatos curiosos e sempre finalizando com motivos para torcer ou secar a seleção representante. No fim, a Copa é o pano de fundo para tratar de outros assuntos das nações. Afinal de contas, nem tudo é bola rolando no gramado, certo?

O autor destaca que Por Fora da Copa “é um livro para poder falar além de Neymar e Messi, saber de outros assuntos que a Copa traz. Até porque esses jogadores fazem no máximo sete jogos, na melhor das hipóteses. O resto das partidas é um monte de croatas ruins de bola”, provoca em entrevista à revista GQ. Ele ainda considera o contingente de pessoas que simplesmente não gosta de futebol: “O Por Fora da Copa nasceu porque entendo que tem gente que odeia Copa do Mundo. Ainda mais no Brasil, onde o evento virou uma agenda negativa de roubalheira e não sei o quê. Mas eu aprendi muita coisa positiva com futebol. Eu aprendi geografia, por exemplo. Você sabe que Vigo fica na Espanha porque existe o Celta de Vigo”, afirma o autor. “Acabei indo mais adiante. Essa é a minha visão do que o futebol pode fazer pelas pessoas”.

Dentre os países com histórias interessantes estão o Japão e a Bósnia Herzegovina, estreante em Copas do Mundo. No capítulo dos nipônicos, o autor aborda a crise de natalidade: “60% dos homens japoneses de 18 a 30 anos não estão numa relação. 40% das mulheres em idade universitária ainda são virgens. É uma sociedade muito conectada à tecnologia, mas que perdeu o contato com os indivíduos, uma coisa que talvez seja a tendência para o mundo todo no futuro”, explica o autor. Logicamente, o problema de natalidade acaba se refletindo no time de futebol japonês. “Causa um impacto muito grande. Como não tem gente nascendo no Japão – dos 40 departamentos, só três tiveram taxa de natalidade positiva -, fica muito difícil de haver uma renovação no time de futebol.”

Aí você se pergunta, será que essas coisas estão mesmo tão conectadas? O exemplo da Bósnia Herzegovina responde. Menezes escreveu sobre a divisão interna do país, mais um dos resultantes da dissolução da Iugoslávia. “A Bósnia é uma obra de ficção da diplomacia mundial. Resolveram intervir lá e colocar o país sob um único regime. Eles nunca conseguiram chegar a um consenso sobre a letra do hino. Para ser aprovada, tem que passar por seis instituições e três conselhos étnicos. Faz 20 anos que discutem e não chegam a lugar nenhum. O que acontece é que no jogo toca o hino e a torcida canta uma música folclórica por cima. O futebol deu um jeito”.

Pelo visto, Por fora da Copa não está assim tão por fora e a prova disso é o futebol dando boas pistas sobre a configuração dos povos. Boa leitura, pessoal!

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