As histórias por trás das clássicas capas de álbuns

As histórias por trás das clássicas capas de álbuns / Foto: reprodução

O design se manifesta de diversas formas, por isso a Escola de Criação aborda o conceito, a importância e o desenvolvimento dele em seus cursos. Uma das formas de manifestação do design são as imagens que representam os músicos ou as músicas. Você já parou para analisar a capa daquele seu LP ou CD favorito? Ela pode dizer muita coisa sobre a banda. Muitos designers usam tons minimalistas e psicodélicos, levando mensagens nem sempre possíveis de se entender à primeira vista. Confira as histórias:

The Velvet Underground and Nico – Velvet Underground


A capa com a famosa banana foi criada por Andy Warhol com silkscreen e um simples filme preto e branco feito de acetato. Atrás do adesivo se revela uma fruta de tom rosado, semelhante à pele. Para a banda, a invenção foi um pesadelo: “Alguém tinha que sentar com pilhas de álbuns e colar o adesivo da casca da banana em cima da fruta manualmente”, disse o diretor artístico de Warhol, Ronnie Cutrone. Em 1968 a banana interativa foi cancelada e, atualmente, os originais chegam a custar quinhentos dólares.

Who’s Next – The Who

Na capa desse álbum, a banda aparenta ter acabado de deixar sua assinatura em urina na pedra localizada em uma velha cidade mineradora da Inglaterra. “Muitos dos membros não conseguiram (urinar), então usamos água da chuva despejada com uma velha vasilha de filme para atingir o efeito desejado”, explica o fotógrafo Ethan Russell, que produziu a capa de “Who’s Next”.

Skull and Roses – Grateful Dead

Idealizada por Stanley Mouse, a capa do álbum lançado em 1971 tem uma caveira com rosas. A imagem se tornou a primeira ligada ao grupo e tem origem do século XIX, feita para ilustrar um poema no século XI: “Achei a imagem original em uma pilha na Biblioteca Pública de São Francisco”, disse o pintor Stanley Mouse. “Ela foi criada por um artista chamado Edmund Sullivan para ilustrar o poema The Rubayat of Omar Khayyam. Achei que era algo que funcionaria para o Grateful Dead”.

Houses of Holy – Led Zeppelin

Idealizada por Hipgnosis, em 1973 a capa do Houses of Holy deu trabalho. As recordações de um dos modelos sobre a capa fala sobre “chuva gelada, comida ruim e solvente. As quatro da amanhã, durante uma semana inteira, três adultos e duas crianças eram pintados com spray prata dos pés a cabeça e se dirigiam para Giant’s Causeway, na Irlanda do Norte, para rastejar nas pedras em busca de um nascer do sol que nunca chegava.

Dark Side of The Moon – Pink Floyd

A capa épica foi idealizada por Hipgnosis e George Hardie. Apesar de cantarem “We don’t need no education”, a imagem de capa de um dos álbuns mais vendidos de todos os tempos foi baseada em uma figura geralmente usada na escola. “O Prisma representa a diversidade e a clareza dos sons da música”, diz o designer Storm Thorgerson. Ele completa: “O triângulo é um dos símbolos da ambição, um dos temas que Roger estava querendo implantar. Há várias ideias juntas”.

London Calling – The Clash

Idealizada por Ray Lowrie, ele explica a capa: “Tentei fazer uma genuína homenagem ao gênio que criou o primeiro disco do Elvis Presley”. Quanto à foto com a sua imagem, o baixista Paul Simonon, argumenta: “O show foi bem tranquilo naquela noite, mas para mim, por dentro, não foi uma boa performance, então eu descontei no baixo. Seria bem mais esperto se eu tivesse pego o baixo reserva, que não era tão bom quando o que eu quebrei. Quando olho para a foto hoje em dia, gostaria que tivesse levantado o rosto um pouco mais”. Humildade sua, Paul, a foto parece posada.

Licensed to Ill – Beastie Boys


Os Beastie Boys tiveram a ideia da capa para seu álbum de estreia laçado em 1986, no qual o avião da frente se desdobra em uma contracapa destruída e esfumaçante. O produtor Rick Rubin revelou que colocou a ideia para o grupo depois de ler sobre o luxuoso jato do Led Zeppelin: “Os Beastie Boys eram um bando de garotos e eu queria que tivéssemos um jato dos Beastie Boys. Eu queria abraçar e ao mesmo tempo tratar de forma sarcástica o estilo de vida exacerbado dos rockstars, de excesso e destruição”. Detalhe é que o número de identificação na cauda do avião é 3MTA3. Ele pode ser lido como “Eat Me”, se você segurar a capa contra um espelho.

Nevermind – Nirvana

Idealizada por Robert Fisher e Kirk Weddle, em 1991, a icônica capa do disco Nevermind do Nirvana marcou a primeira vez em que Spencer Elden pulou em uma piscina. Um momento realmente memorável. Com quatro meses de idade, Spencer foi um dos vários bebês que fizeram testes para esta capa em uma piscina pública de Pasadena, nos Estados Unidos. “Mostrei a foto para Kurt e ele gostou, mas sentiu que precisávamos de algo mais. Pensamos em várias coisas, mas Kurt jocosamente sugeriu um anzol. Por mais que ele nunca tenha me dado um caminho a seguir no design, presumi que o bebê nu simbolizava sua própria inocência, a água, o ambiente alienígena e o anzol com o dólar sua vida criativa entrando no mundo corporativo da música.”, explica Robert Fisher, designer da capa.

Odelay – Beck

Lançado em 1996, o álbum Odelay foi idealizado por Beck Hansen e Robert Fisher. Difícil de identificar, o cachorro de pelagem estranha no centro da imagem parece um objeto estranho, como um esfregão ou monte de feno. Trata-se apenas de um Komondor. A raça húngara com essa pelagem que parece feita de tranças provocou vários reações de estranheza quando o álbum foi lançado. E era exatamente isso que Beck desejava. A banda se deparou com a foto do cachorro em um antigo livro sobre raças caninas. “Beck sentiu que era uma foto quase ambígua, sem relação alguma com a música, e foi escolhida quase ao aleatório. Aquele que visse poderia entender o que bem gostaria. Odelay também soava um pouco como um comando canino”.

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