H. R. Giger além da série “Alien”

H. R. Giger além da série “Alien” / foto: reprodução

O artista H. R. Giger, criador de cenários memoráveis como os do filme Alien, o Oitavo Passageiro, faleceu na última segunda-feira (12 de maio). Segundo informações do Museu Giger, divulgadas pela BBC, a morte foi consequência de ferimentos causados após uma queda das escadas de sua casa, em Zurique. A lamentável perda do artista pede uma homenagem, um retrospecto do que Giger produziu. E não foi pouca coisa.

Ligado à corrente surrealista e à arte fantástica, Giger ganhou fama com Necronomicon, uma coleção de imagens inspiradas em contos do escritor H.P. Lovecraft. Chamou a atenção do roteirista Dan O’Bannon enquanto trabalhava com o cineasta chileno Alejandro Jodorowski numa versão do filme Duna mais concretizada. O’Bannon mostrou a Ridley Scott o livro Necronomicon e o diretor decidiu adaptar literalmente as pinturas fálicas do suíço para criar o alienígena do filme Alien, de 1979.

A aparência horripilante do alienígena, com dentes pontiagudos e pele escura viscosa, foi produzida por Giger desde o primeiro filme da série. Pelo trabalho, o artista faturou um Oscar de Efeitos Especiais em 1980. O artista também trabalhou  em Hollywood no design dos filmes A Experiência, de 1995, e Poltergeist II, de 1986.

Além de ter ficado marcado pela produção do monstro icônico, Giger atuou nas artes visuais, no ramo musical. Criou polêmica utilizando a pintura Landscape XX (ou Penis Landscape) no álbum “Frankenchrist” (1985), da banda punk Dead Kennedys, o que rendeu um processo ao grupo. O suíço também concebeu uma série de capas de discos para artistas como Debbie Harry, do Blondie (“Koo Koo”, de 1981), Emerson, Lake and Palmer (“Brain Salad Sugery”, de 1973) e Joel Vandroogenbroeck (“Biomechanoid”, de 1980).

Quem foi H. R. Giger

Nascido Hans Rudolf, H. R. Giger nasceu na cidade de Chur, no leste da Suíça, em 1940. Estudou arquitetura e design industrial em Zurique. Seu trabalho explora as relações entre o corpo humano e as máquinas, dando origem a assustadoras imagens que ele descrevia como “biomecânicas”. “Eu acho inspiração em tudo, em todo lugar. E como muitos outros artistas, eu gosto da beleza feminina. Também gosto muito de ler. Literatura e grandes escritores sempre foram um prazer e uma inspiração”, revelou em entrevista ao jornal O Globo.

Em 1998, Giger abriu seu próprio museu na cidade de Gruyère. Lá são exibidas pinturas, esculturas e sua coleção privada de arte, que inclui obras de Salvador Dalí.

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