Henfil 70 anos – O cartunista que fez história

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Se estivesse vivo, Henfil teria completado 70 anos ontem, dia 5 de janeiro. Ele faleceu em 1988, vítima da aids após uma transfusão de sangue. Era hemofílico, assim como seu irmão, o também conhecido, Betinho. Mas o legado que Henfil nos deixou, este ainda está bem vivo em personagens como a Graúna, uma ave politizada e faminta criada por ele.

Cartunista de mão cheia, Henrique de Souza Filho, o Henfil, foi um ferrenho adversário da ditadura militar. Na época, criticava a todos, até aqueles da esquerda que se omitiam durante o regime. Lançou variedade de personagens em suas charges e tiras para poder questionar a realidade política, a falta de voz do povo brasileiro. Muita coragem. Inclusive, foi o criador do bordão “Diretas já”.

A primeira aventura do cartunista em charges foi quando trabalhou na edição mineira do Jornal de Sports, em 1967, desenhando personagens do Atlético Mineiro e do Cruzeiro. Em seguida, expandiu a produção com figuras outros clubes brasileiros na edição carioca do mesmo jornal.

Mas foi depois da fundação d’O Pasquim que o trabalho de Henfil ganhou maior popularidade. Além das tirinhas no semanário, publicou livros de crônicas, entre eles Diário de um Cucaracha (1976), Henfil na China (1980) e Diretas Já! (1984). Envolveu-se também em cinema, escrevendo roteiros, fez comentários políticos ousados em programas de TV e, durante anos, publicou uma coluna chamada “Cartas da Mãe” n’O Pasquim e depois na Revista Istoé. A ideia da coluna era relatar as mazelas do país à sua mãe, Dona Maria.

Em homenagem ao trabalho do cartunista, novos números da Coleção Fradim serão lançados com o selo comemorativo de “25 anos sem Hefil – Morro, mas meu desenho fica”.

O curioso é que, depois de tantos anos, seu trabalho se mantém atual. O contexto político não é o mesmo, mas as necessidades e questionamentos perduram.

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